Macroeconomia

Cenários macroeconômicos para 2026–2030: três trajetórias possíveis

Este estudo apresenta três cenários macroeconômicos para o horizonte 2026–2030, construídos a partir de um modelo de equilíbrio geral parcial calibrado com dados do IBGE, BCB e Focus.

Visualização de três trajetórias de PIB projetadas até 2030

«Cenários não são previsões: são mapas de possibilidades que tornam visíveis as premissas por trás de cada trajetória.»

Dr. Rafael Mendes

A construção de cenários macroeconômicos exige transparência sobre premissas e limitações. Nesta análise, definimos três trajetórias — base, otimista e adversa — para o produto interno bruto, a inflação medida pelo IPCA e o saldo da balança comercial entre 2026 e 2030.

Metodologia e premissas

O modelo utilizado incorpora equações de demanda agregada, oferta de trabalho, função de reação do Banco Central e choques externos parametrizados. As premissas incluem preço médio do petróleo entre US$ 70 e US$ 90 no cenário base, taxa de câmbio real alinhada ao equilíbrio de longo prazo e execução parcial das reformas estruturais em curso.

Cada cenário é simulado com 10.000 iterações Monte Carlo para estimar intervalos de confiança de 68% e 95% nas variáveis-alvo. Os resultados são apresentados de forma agregada, sem identificação de observações individuais.

Cenário base

No cenário base, o PIB cresce em média 2,3% ao ano entre 2026 e 2030, com inflação convergindo para a meta de 3% com banda de tolerância. A balança comercial permanece em superávit moderado, sustentada pela diversificação de exportações e demanda externa estável.

Este cenário assume continuidade das políticas macroprudenciais atuais, execução fiscal dentro das metas estabelecidas e ausência de choques geopolíticos severos.

Cenário otimista

A trajetória otimista projeta crescimento médio de 3,1% ao ano, impulsionado por investimento privado elevado, aceleração da produtividade industrial e maior integração comercial com parceiros estratégicos. A inflação permanece ancorada abaixo de 4% durante todo o horizonte.

Cenário adverso

No cenário adverso, o crescimento médio recua para 1,2% ao ano, com inflação persistentemente acima da meta e deterioração do saldo externo. Este exercício incorpora choques simultâneos: desaceleração global, restrição de crédito doméstico e atrasos na agenda de reformas.

Implicações para formuladores de política

A comparação entre cenários evidencia a sensibilidade do crescimento brasileiro a variáveis de política fiscal e expectativas de inflação. Políticas que reforçam a credibilidade fiscal e mantêm a previsibilidade regulatória aumentam a probabilidade de transição do cenário base para o otimista.

Recomendamos que leitores consultem os anexos metodológicos disponíveis mediante solicitação editorial e leiam nossa política editorial para compreender os critérios de revisão e atualização desta análise.